O que seria uma reunião de druídas? Não descobri ainda, embora tenha andado à cata de alguma informação mais precisa. Bem, informação precisa há, mas são tantas que a precisão fica perdida e aparece em seu lugar a precisão de pensar tudo junto, ou nada.

Esses senhores, os druídas, deviam reunir-se nas florestas, cercados de antigos carvalhos e à volta de alguma fogueira bem grande. Se os carvalhos estão aqui nesta imagem por falta de outra melhor, a fogueira acho que estava lá, sim. Sem ela ninguém enxergaria e os lobos se aproximariam rapidamente. Então, estava lá o fogo e podiam estar lá as árvores. Os druídas, esses tinham que estar.

Os que estudam tradições celtas e gaulesas dizem que eram como sacerdotes. Não parece muito simpático chamar estes personagens de sacerdotes, porque o nome já enviesa a percepção e alguém pode começar a pensar em padres, ou pior, num convento cheio deles. Não era disso que se tratava, evidentemente.

Astrólogos, dizem outros estudiosos, que viram sinais fortíssimos de previsões e de leitura dos astros em certas taças de metal. Ora, em taças de metal pode-se ver muitas coisas, até o vazio delas. De toda forma, deviam olhar mesmo para os céus, que é dos alvos preferenciais dos olhos das pessoas sentadas em locais pouco iluminados. Mas a mistificação dos astros é muito dependente de formas escritas e desenhadas. Acho que olhavam porque é bonito e só.

Cozinheiros, penso eu. Os sábios Goscigny e Uderzo deixaram-no implícito e mais que isso, eles eram cozinheiros vegetarianos. Ora, um senhor idoso, de longos cabelos, longa barba e bigodes, dentro de uma túnica branca, sempre acompanhado de um caldeirão, só pode ser um cozinheiro. Anda em busca de ervas, cheira o caldo fervente, bota mais um tempero.

As propriedades fortificantes da poção de Panoramix são apenas o detalhe. Aqueles gauleses já eram bastante fortes e viviam pensando em comida. Repletos de javalis assados na brasa, deviam viver nas fronteiras da indigestão, senão além delas. Nada mais adequado que um bom caldo, uma sopa leve e sem gorduras, temperada com ervas amargas, que só o druída sabia escolher.

Oferecer a preciosa poção era dar remédio a indigestões longas e profundas, portanto. Poderia haver missão mais nobre? A indigestão cega a alma do glutão refestelado. Cala a boca com a saciedade pesada das carnes ativas de caça. Fecha os ouvidos com a cera esfriada da gordura animal. E dá um sono agitado, de quem não se pode deitar com a barriga para baixo.

As almas não se curam e talvez nem adoeçam, mas os males da indigestão agravam qualquer outro, seja na alma, seja em qualquer outro lugar. Convém então ter sempre alguma poção por perto, para alívio dos excessos que turvam a visão, dão preguiça e guiam o entendimento em sentido único. Se a poção não resultar em algum benefício maior, ao menos o tempo gasto na sua ingestão não será dedicado ao consumo de mais alimento pesado. Aí já haverá algum bem.

3 Comentários on Druídas

  1. Patrícia disse:

    Andrei,

    Gostaria de exprimir o meu entusiasmo com a nova apresentação do blog!
    A nível de imagem, ficou mais luminoso, embora a nível de textos, tenha ficado mais sério, com alguma pena, que me perco um pouco nos assuntos do “exterior”.
    De qualquer modo, ainda bem que perderam o acervo histórico anterior, é sempre bom começar tudo de novo, o que é a vida se não isso mesmo???!

    Beijs,

    da prima,

    Pat.

  2. Gostaria de exprimir o meu entusiasmo com a nova apresentação do blog!A nível de imagem, ficou mais luminoso, embora a nível de textos, tenha ficado mais sério, com alguma pena, que me perco um pouco nos assuntos do “exterior”.De qualquer modo, ainda bem que perderam o acervo histórico anterior, é sempre bom começar tudo de novo, o que é a vida se não isso mesmo???!
    +1

  3. Germano Brandes disse:

    E’ muito importante nao perder essa tradicao dos druidas, pois El a Nos remete para o tempo presente. Os erros passados nao poderao see cometidos novamente, pois senao estaremos repetindo os mesmos erros de aurora.

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