João Cabral De Melo Neto

Andrei Barros Correia em 01/07/11

1.1. Se diz a palo seco o cante sem guitarra; o cante sem; o cante; o cante sem mais nada; se diz a palo seco a esse cante despido: ao cante que se canta sob o silêncio a pino. 1.2. O cante a palo seco é o cante mais só: é cantar num deserto devassado […]

Continue lendo sobreA palo seco, de João Cabral de Melo.

Andrei Barros Correia em 13/12/10

O vídeo tem nítido contorno político, assim como teve a interpretação de Chico desses versos divinos de João Cabral de Melo Neto. A questão enseja essa abordagem porque a divisão das terras no Brasil ensejou e enseja muita pobreza e muita violência. A poesia cabralina não era motivada politicamente, todavia, e o poeta não se […]

Continue lendo sobreMorte e vida severina, na visão de Chico Buarque.

Andrei Barros Correia em 04/11/10

Em 1950, em Barcelona, João Cabral publica O cão sem plumas. São quatro partes componentes de um grande poema, repetitivo, seco a falar de um rio, quase hermético, belíssimo. É um rio que corta o Recife. Chega à cidade sujo, porque vem sujo desde perto de sua nascente. Chega largo na planície, inundando as várzeas […]

Continue lendo sobrePaisagem do Capibaribe, de João Cabral de Melo Neto.

O poema é muito extenso e o mais belo que há. Por isso, transcrevo apenas a primeira parte. Poesia fria e anti-condoreira. Profundamente histórica, embora não o pareça à primeira vista. Impossível para quem não tenha algum ponto de contato com ela. Tão bem conformada que somente depois de algumas leituras percebe-se de que matéria […]

Continue lendo sobreUma faca só lâmina, ou serventia das idéias fixas, de João Cabral de Melo Neto.

Andrei Barros Correia em 04/11/10

Uma educação pela pedra: por lições; para aprender da pedra, freqüentá-la; captar sua voz inenfática, impessoal (pela de dicção ela começa as aulas). A lição de moral, sua resistência fria ao que flui e a fluir, a ser maleada; a de poética, sua carnadura concreta; a de economia, seu adensar-se compacta: lições da pedra (de […]

Continue lendo sobreA educação pela pedra, de João Cabral de Melo Neto.

Andrei Barros Correia em 19/09/10

Dentro da perda da memória uma mulher azul estava deitada que escondia entre os braços desses pássaros friíssimos que a lua sopra alta noite nos ombros nus do retrato. E do retrato nasciam duas flores (dois olhos dois seios dois clarinetes) que em certas horas do dia cresciam prodigiosamente para que as bicicletas de meu […]

Continue lendo sobreDentro da perda da memória, de João Cabral de Melo Neto.

Andrei Barros Correia em 19/09/10

Não se vê no canavial nenhuma planta com nome; nenhuma planta maria, planta com nome de homem. É anônimo o canavial, sem feições, como a campina; é como um mar sem navios, papel em branco de escrita. É como um grande lençol sem dobras e sem bainha; penugem de moça ao sol, roupa lavada estendida. […]

Continue lendo sobreO vento no canavial, de João Cabral de Melo Neto.