Poesia

Severiano Miranda em 27/03/16

Santa Teresa de Ávila. Vivo sem viver em mim, E tão alta vida espero, Que morro porque não morro. (…) Ai que longa é esta vida! Que duros estes desterros! Este cárcere, estes ferros Onde a alma está metida. Só de esperar a saída Me causa dor tão sentida, Que morro porque não morro. Ai, […]

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Andrei Barros Correia em 19/09/11

Por Daniel Miranda Castro   Tanto tempo, quanto tempo Quase penso Da inércia, nasço tenso No processo, não me aguento Logo travo o andamento Com o sonho me contento Sinto ser muito propenso A não expor meu rendimento Falta um toque de bom senso Nos tratores truculentos “Pense mais no seu sustento” “Pense menos no […]

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Andrei Barros Correia em 19/11/10

Triste de quem vive em casa, Contente com o seu lar, Sem que um sonho, no erguer de asa, Faça até mais rubra a brasa Da lareira a abandonar! Triste de quem é feliz! Vive porque a vida dura. Nada na alma lhe diz Mais que a lição da raíz — Ter por vida sepultura. […]

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Severiano Miranda em 18/11/10

De Daniel Miranda Castro. Olhos, não olhos atentos ou reflexivos, ou determinados ou sequer ativos, não. Olhos sem olhares, que o corpo está a a venda, pois a alma já vendida não deu renda, e só o dinheiro traz felicidade em migalhas. Felicidade partida, pedem as gralhas, que gritam muito pra dizerem pouco, e pouco […]

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Andrei Barros Correia em 15/11/10

Faz-me o favor de não dizer absolutamente nada! Supor o que dirá Tua boca velada É ouvir-te já. É ouvir-te melhor Do que o dirias. O que és nao vem à flor Das caras e dos dias. Tu és melhor — muito melhor! Do que tu. Não digas nada. Sê Alma do corpo nu Que […]

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Andrei Barros Correia em 07/11/10

Olhe aqui, Mr. Buster: está muito certo Que o Sr. tenha um apartamento em Park Avenue e uma casa em Beverly Hills. Está muito certo que em seu apartamento de Park Avenue O Sr. tenha um caco de friso do Partenon, e no quintal de sua casa em Hollywood Um poço de petróleo trabalhando de […]

Continue lendo sobreOlhe aqui Mr. Buster, de Vinicius de Moraes.

Andrei Barros Correia em 04/11/10

Em 1950, em Barcelona, João Cabral publica O cão sem plumas. São quatro partes componentes de um grande poema, repetitivo, seco a falar de um rio, quase hermético, belíssimo. É um rio que corta o Recife. Chega à cidade sujo, porque vem sujo desde perto de sua nascente. Chega largo na planície, inundando as várzeas […]

Continue lendo sobrePaisagem do Capibaribe, de João Cabral de Melo Neto.

O poema é muito extenso e o mais belo que há. Por isso, transcrevo apenas a primeira parte. Poesia fria e anti-condoreira. Profundamente histórica, embora não o pareça à primeira vista. Impossível para quem não tenha algum ponto de contato com ela. Tão bem conformada que somente depois de algumas leituras percebe-se de que matéria […]

Continue lendo sobreUma faca só lâmina, ou serventia das idéias fixas, de João Cabral de Melo Neto.

Andrei Barros Correia em 04/11/10

Vês! Ninguém assistiu ao formidável Enterro da tua última quimera. Somente a Ingratidão – esta pantera – Foi tua companheira inseparável! Acostuma-te à lama que te espera! O Homem que, nesta terra miserável, Mora entre feras, sente inevitável Necessidade de também ser fera Toma um fósforo. Acende teu cigarro! O beijo, amigo, é a véspera […]

Continue lendo sobreDos versos íntimos, de Augusto dos Anjos.

Andrei Barros Correia em 04/11/10

Uma educação pela pedra: por lições; para aprender da pedra, freqüentá-la; captar sua voz inenfática, impessoal (pela de dicção ela começa as aulas). A lição de moral, sua resistência fria ao que flui e a fluir, a ser maleada; a de poética, sua carnadura concreta; a de economia, seu adensar-se compacta: lições da pedra (de […]

Continue lendo sobreA educação pela pedra, de João Cabral de Melo Neto.