Um espaço de convívio entre amigos, que acabou por se tornar um arquivo protegido por um só curador.

Tão ridículo que chega a ser engraçado.

Não busco, nem afirmo limites para a tolice, porque não existem. Tampouco me assusto com a desimportância tratada como assunto sério, mas certos casos desse triunfo massificador realmente chamam a atenção.

Lê-se no portal de internet iG o seguinte: Vinho e cinema: veja qual vinho combina com seu filme predileto ao Oscar 2011.

Não vi o negócio do vinho, até porque nunca vi Oscar, como nunca vi premiação alguma para os maiores vendedores de algum setor comercial. E, por outro lado, não preciso de desculpas para tomar vinho, ia-me quase esquecendo de apontar, e acho que vinho combina ou não com comida.

Isso que fizeram com vinho e filme predileto, fazem-no com tudo, oferecendo receitas e sugerindo relações entre coisas, que de tão tênues e superficiais parecem com o espírito público de algum político.

E o público gosta e consome essas receitas, sente-se homenageado com o zelo de algum especialista que cuidou de pensar em algo destinado a ele, público. Ele que provavelmente acha chique falar em vinhos e em filmes de Oscar – imagine-se, então a relação dessas duas coisas – mas provavelmente não tem das duas qualquer idéia própria ou mais profunda.

Alguém parará a meditar que a relação entre um vinho e um filme de que gosta está precisamente no gostar de ambos e só? E que, sendo assim, a receita mágica dessa associação não pode vir de fora?

É interessante que isso funciona porque as massas são profundamente infantilizadas, têm que ser guiadas e cuidadas por oferecedores de gostos e opções pré-ordenados, têm que ser instruídas sobre como fazer isso e aquilo, sobre o que deve ser considerado chique. É a mesma infantilização que leva a que se creia ter um catálogo de direitos sem correspondentes obrigações.

Que leva a crer nas possibilidades infinitas de sempre se desculpar dizendo que algo foi sem querer-se. Que leva a crer que os limites nunca foram atingidos e quando forem não haverá consequências.

A mesma lógica, enfim, que encontrou o melhor protótipo no senhorzinho satisfeito, a figura que precisa de uma recomendação de vinho adequado a filme e que se revela capaz de qualquer violência ou absurdo e posteriormente invoca a própria ignorância em defesa.

O vinho que combina com seu filme predileto!

 

7 Comments

  1. Severiano Miranda

    Realmente é ridículo! Todo mundo sabe que filme só combina com pipoca e guaraná!!
    =)))

  2. Andrei Barros Correia

    Meu deus!

  3. Daniel Maia

    Andrei,

    O Severiano está certo. Essa história de filme e vinho, na realidade, quer corromper uma tradição secular, que tem por fundamento o mito fundador da sétima arte!!! kkkkkkkkkkkk

  4. Olívia Gomes

    kkkkkkkkkkkk

  5. Carlos

    Leste isso, Andrei?

    http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/as-indenizacoes-trabalhistas-no-judiciario

    Os debates locais estão ganhando corpo nacionalmente.
    Será que um dia seremos um país sério?

  6. Andrei Barros Correia

    Carlos,

    Li,sim. É a inércia auto-referente, que é muito forte.

    Se puserem os olhos no que se faz administrativamente, sem lei, sentença, ou qualquer publicidade…

  7. Thiago Loureiro

    Eu virei fã de vinho por causa dos amigos Andrei, Olívia e Sevé…
    Antes eu não gostava.
    😀

    Em tempo, provei o alantejano que Sevé indicou, BOOOM demais.

    Saudades dos amigos.

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